[Resenha/Livro] Os homens que não amavam as mulheres

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Título Original: Män som hatar kvinnor

Autor: Stieg Larsson

Ano de lançamento: 2005 (Suécia)/2008 (Brasil)

Editora no Brasil: Companhia das Letras

Número de páginas: 522

Os homens que não amavam as mulheres é o primeiro livro da trilogia Millenium, criada pelo sueco Stieg Larsson, que não viveu para ver o estrondoso sucesso de seus três livros, que ganharam versões cinematográficas suecas e (por enquanto) uma de Hollywood, dirigida por David Fincher e interpretada por Daniel Craig e Rooney Mara.

O livro gira em torno de dois personagens principais: o jornalista e recém-condenado à prisão por difamação Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, uma jovem hacker e socialmente diferente. Ambos se encontrarão cercados por um grande mistério que assola a poderosa família Vanger, uma das principais donas de indústrias da Suécia, devido ao sumiço de Harriet Vanger, três décadas atrás.

O estilo de Stieg Larsson é apaixonante e hipnotizador. Quando eu menos pude perceber, já estava dentro do livro, conseguindo sentir até mesmo o frio enorme da Suécia no inverno, especialmente da cidade de Hedestad.

A mistura infalível de mistério e denúncia é um prato cheio para quem gosta de bolar mil e uma teorias na cabeça enquanto Larsson destila seu veneno pelas páginas de Os homens que não amavam as mulheres.

Primeiramente, o mistério é absolutamente envolvente e com conclusões bastante aterrorizadoras. O sumiço de Harriet Vanger é dramático e vai levar Mikael Blomkvist ao esgotamento para tentar solucioná-lo, não sem o auxílio de Lisbeth Salander, que é o completo oposto.

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Larsson conseguiu também tornar o livro uma grande denúncia, não somente à violência sexual contra a mulher, mas também aos jornalistas suecos (e por que não do mundo todo?) e também às fraudes milionárias do mundo financeiro da Suécia. O bom é que nenhuma dessas denúncias é rasa e/ou imposta forçadamente à obra, como que se Larsson estivesse buscando uma moral somente para vender mais exemplares. Pelo contrário, a denúncia é sutil e completamente relacionada ao contexto do livro, porém aparece com tanta raiva durante o texto que é impossível deixá-la de lado e não se pegar pensando sobre isso mesmo após fechar o livro.

Os personagens principais do livro – Blomkvist e Salander – merecem imenso destaque e apresentam um Yin e Yang que se somam. Salander é completamente impulsiva e irritadiça, enquanto Blomkvist é um jornalista respeitado e que pensa bastante antes de agir. E não há melhor ou pior maneira de se pensar ou agir apresentadas no livro, mas sim ações e pensamentos que acabam por se completar.

Alguns problemas que o livro apresenta são de ordem prática e necessária: a apresentação de todo o contexto, a família de Harriet Vanger, o mundo financeiro e jornalístico sueco, tudo isso é feito de modo lento e a história demora imensamente para começar a realmente engrenar como um romance essencialmente de mistério e investigação.

Mas isso não é lá tanto um problema, pois o estilo rápido e Larsson permite uma leitura rápida, porém os detalhes têm de ser atentamente absorvidos, principalmente por haver uma gama imensa de personagens, vivos e mortos, que assombram até o presente da família Vanger na ilha de Hedeby. Parágrafos e frases curtas, bem como capítulos longos, porém com diversas divisões dentro de cada um, garantem uma leitura rápida e prazerosa, que consegue manter o leitor sempre curioso para saber o que acontecerá em seguida.

Li o livro antes de ver o filme, e fico imensamente feliz por isso. Muito melhor ler sem saber de absolutamente nada, pois o ponto crucial do livro é o mistério que envolve a família Vanger.

Não dou 5 estrelas somente por essa apresentação enorme (porém, repito, necessária), porque de resto, Larsson tem um estilo perfeito para a proposta de Os homens que não amavam as mulheres.

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Nota: 4 estrelas (em um total de 5)

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About Neto

Formado em História em 2011 pela UNESP Franca.

Posted on December 17, 2012, in Resenhas and tagged , , , . Bookmark the permalink. 2 Comments.

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