[Resenha/Filme] Bastardos Inglórios

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Título original: Inglourious Basterds

Ano: 2009

Diretor: Quentin Tarantino

Tempo de filme: 153 min.

Sou um historiador de meia-tigela. Em 2009 eu já cursava a faculdade e deveria é engolir todos esses filmes que tratam de História. Não foi o que fiz, e deixei passar muitos filmes sobre isso. E bons filmes, que vários amigos sempre indicavam. Um deles era Bastardos Inglórios, do aclamado Tarantino. Não sei por quê, eu sempre ligo a figura desse diretor a uma caricatura imensa em seus filmes (que vi muitos poucos). Isso deve ser devido a Kill Bill, com suas fontes de sangue jorrando do mínimo corte feito na pele. E mesmo assim eu gostei muito de Kill Bill. Não vi mais nada do Tarantino, nem mesmo Bastardos Inglórios, não sei por quê.

Mas depois de muita indicação, inclusive da minha namorada, decidi que era chegado o momento de assistir a esse filme. Nota 8,3 no IMDB, o que é algo que poucos filmes têm a sorte de ter. Normalmente, um bom filme no IMDB tem nota de 6,0 para cima. Notas maiores do que 8,0 pode ter certeza que o filme tem algo de especial, que é quase uma obra prima.

O filme já começa promissor. A introdução de um dos personagens-chave do filme, o Cel. Landa (Christoph Waltz), da SS, é magistral. A sequência inicial do filme é de tirar o fôlego e já vai mostrar um dos principais trunfos do filme: a atuação. Simplesmente sensacionais, é aquele caso onde os atores, mesmo sem falar nada, conseguem demonstrar o que está se passando na cabeça deles. E isso pode trazer enorme desconforto ao espectador (o que é ótimo), pois Bastardos Inglórios é um filme intenso e tenso.

Não poderia se esperar menos de um filme sobre nazismo, um dos períodos mais conturbados, violentos e sádicos da humanidade. O filme se passa na primeira metade da década de 40. Ou seja: durante a Segunda Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazistas. Uma coisa interessante de se reparar é o destaque maior para Joseph Goebbels (Sylvester Groth) do que para o Führer (Martin Wuttke). O Ministro da Propaganda do Terceiro Reich é uma figura central no filme, o que demonstra abertamente a essência do nazismo: a propaganda. Essa propaganda é veiculada também na forma de filmes, todos feitos para exaltar o soldado, a identidade e o nacionalismo alemão.

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E o filme é basicamente sobre um filme, feito com esse intuito. Baseado nas façanhas do soldado Fredrick Zoller (Daniel Brühl), todo o drama do filme acaba girando em torno da noite de estréia da película na França, contando com a presença dos mais altos comandantes do Terceiro Reich. E é aí que entra a missão mais importantes dos chamados Bastardos.

Os Bastardos são um grupo de operações formado nos Estados Unidos com um único intuito: matar nazistas. Tudo comandado pelo Tenente Aldo Reine (Brad Pitt), aqui começa um pouco da caricatura: a matança dos nazistas é, de alguma forma, divertida. Tarantino fez algo interessante aqui: quando os nazistas estão sendo espancados, alvejados, escalpelados ou outra coisa violenta, isso é feito de forma divertida. É bastante caricato e com trilhas sonoras não de tensão, mas de pura diversão. Quando é o contrário, quando algum nazista está sendo violento com outro personagem, o clima de tensão e terror já é muito maior. Isso é mestre e mostra muito do caráter do diretor, do que ele pensa: matar os nazistas é fazer justiça.

Isso nos leva a um ponto alto (mais um) do filme: a trilha sonora. Uma seleção de músicas de extremo bom gosto, é daqueles filmes onde a trilha realmente afeta o espectador, deixando-o atônito, exasperado, temeroso e etc. Isso ajuda muito no clima de “e agora, o que acontece?” que o filme sugere, pois a tensão estará sempre com o espectador.

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Acredito que muita dessa tensão também se deva à escolha do diretor de dividir o filme por capítulos. Essa semelhança com um livro traz essa sensação, pois eu, pelo menos, sou movido a essa curiosidade de terminar logo um capítulo para saber como vai ser o próximo. E isso é trazido para Bastardos Inglórios, de forma que cada capítulo possui uma importância específica, deixando os vários focos narrativos cada vez mais interligados, de forma a que as ações se cruzam e se completam ao final.

Tecnicamente o filme é sensacional. Jogo de câmera, figurino, efeitos… tem tudo para encher os olhos, pois a reconstrução da época ficou realmente excelente. Achei incrível como mesmo estando na França, Tarantino não mostrou nem sequer uma mísera imagem da Torre Eiffel. Mas mesmo assim, é possível se sentir dentro da França e também perceber a assustadora e monstruosa presença dos alemães, que claramente são demonstrados como intrusos.

Sinceramente, não tenho do que reclamar. Inclusive porque a História em si não foi respeitada nas vias de fato. O final é surpreendente justamente por causa disso, pois a ousadia do filme vai além do comum, que seria respeitar os caminhos ocorridos na realidade. Como isso é um filme, essa mudança é muito bem vinda, pois quanto mais nos surpreendermos positivamente, melhor é um filme.

Por outro lado, o universo nazista na França ocupada e seus valores estão muito bem representados no filme, e isso é o que de melhor se pode tirar da ficção baseada no real: a reconstrução e representação de valores. Posto isso, todo o resto ser ficcional é melhor ainda, justamente para sermos surpreendidos.

Bastardos Inglórios é essencialmente tenso e tem uma mensagem a passar. De vingança, de redenção, de civilidade. Mas não é por isso que o filme é excessivamente sério. Pelo contrário, o clima descontraído e de humor está presente em muitas cenas, principalmente nas que Brad Pitt aparece, com um sotaque do sul dos EUA pra lá de engraçado. E eu ainda quero entender por que o título em inglês é escrito errado…

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

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About Neto

Formado em História em 2011 pela UNESP Franca.

Posted on January 8, 2013, in Resenhas and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. 14 Comments.

  1. Adorei a resenha, 5 estralas nota perfeita, eu tbm nao daria menos.

    Minhas cenas prediletas neste filme são a cena inicial e a cena do Bar.

  2. Excelente análise, falou todos os pontos importantes.

    Aconselho a ver também Pulp Fiction. Se você gostou de todas as sacadas de Tarantino, vai ser outra experiência única.

  3. Esse filme é uma obra prima. Até o elenco secundário trabalha bem e o Tarantino, como sempre, acertando em diálogos muito fodas!

    Ótima análise, Neto.

  4. Como sempre, esse filme eh um baile do Tarantino, tenso quando ele quer q seja, e hilário quando ele quer te fazer mijar rir (da extrema tragédia alheia). Elenco de fazer inveja a qualquer diretor de holiúdi (como ele consegue fazer isso SEMPRE?), e diálogos incriveis. tudo TOP, sem mais.

  5. Dormi no “Detona Ralph”. =p

  6. Li aqui,ficou otimo neto!
    to baixando aqui, essa semana eu assisto!

  7. o titulo dele é escrito errado por causa de um filme de guerra italiano saido em 1967, uma historia assim

  1. Pingback: [Resenha/Filme] Django Livre « Braavos

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