[Resenha/Filme] Watchmen

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Nome original: Watchmen

Ano: 2009

Diretor: Zack Snyder

Tempo de filme: 215 min (Ultimate Cut)

Um grupo de heróis aposentados está sendo caçado por um vilão misterioso. São os Vingadores? Não. São a Liga da Justiça? Não. São os Watchmen.

Watchmen é uma obra originalmente criada por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e colorida por John Higgins. Já dá para perceber, portanto, que se trata de uma história em quadrinhos, com sua publicação começada em setembro de 1986 e finalizada em outubro de 1987 nos Estados Unidos.

A série é largamente cultuada por sua complexa história, que extrapola o comum para esse tipo de mídia, mas o criador também é famoso por ter criado outro quadrinho muito cultuado: V de Vingança. Eu não conheço os quadrinhos, não sou muito fã desse tipo de mídia. Tenho imenso respeito, mas não consigo gostar, ao menos nas vezes que tentei (diferentemente de mangás, que adoro – ao passo em que detesto animes [vai entender] e gosto de cartoons).

Capa do quadrinho nº 1, publicado pela DC Comics.

Capa do quadrinho nº 1, publicado pela DC Comics.

Há muito tempo planejava ver Watchmen, o filme de 2009, dirigido por Zack Snyder (do aclamado 300). Mas ia deixando pra lá sempre, pois além de quadrinhos não me atraírem, há muito tempo que o único super herói que me interessava era o Batman. Então resolvi deixar esse meu preconceito de lado e coloquei o filme pra rodar. E foi a maior versão, a Ultimate Cut, com seus titânicos 215 minutos, ou seja, 3 horas e 35 minutos!

Snyder é conhecido pela arte visual que oferece em seus filmes. Isso é percebido em 300 e em Sucker Punch (filme posterior a Watchmen) e a primeira coisa que me interessou no filme foi justamente a capa, ou seja, algo visual. O jogo de cores me atraiu muito, mostrando uma cidade escura com luzes brilhantes e um tom azulado permeando tudo.

O filme segue esse estilo artístico, com a maior parte dele sendo no período noturno. O clima noir é notado através disso, com ambientes escuros e um clima investigativo. Porém, ao invés de detetives comuns, temos os heróis chamados de Watchmen.

Em uma época onde o criminoso se fantasiava para não ser descoberto, o governo americano resolveu fazer o mesmo: criou uma força de elite chamada Watchmen (algo como Vigilantes, em português), de pessoas altamente capacitadas e bem treinadas em combate, tiro, escalada, dirigir e etc… tudo o que um super-herói precisa, menos super poderes.

Os Watchmen

Os Watchmen

E isso muito me agrada. Como já disse acima, meu super herói favorito é o Batman. E ele não tem super poderes (o super bolso de Bruce Wayne não pode ser contado como isso), mas sim um excelente treinamento em artes marciais e tudo mais. É a mesma coisa com os Watchmen. A não ser pelo Dr. Manhattan (Billy Crudup), um dos principais personagens do filme, que possui poderes que podem ser descritos como… bem… divinos, dignos de um deus mesmo, já que ele pode transformar a matéria à sua vontade e é, por assim dizer, invencível.

Mas o resto dos heróis são humanos, extremamente humanos. E é nessa humanidade que o filme vai permear, mas não somente dos Watchmen, mas também de todos à volta. O filme se passa durante a Guerra Fria, em sua maior parte nos anos 80, com flashbacks para anteriormente, mostrando o background dos personagens para compreendermos suas fraquezas e fortalezas. Como todos sabemos (ou deveríamos saber, já que, via de regra, você teve aulas de história na escola, ou até mesmo aprendeu isso em aulas de geografia), o terror de uma guerra nuclear era iminente.

Tendo em vista isso, foi criado uma espécie de medidor de cataclismo: um relógio que conta os minutos para a meia noite, que seria quando as ogivas já estariam preparadas para serem lançadas pela URSS (pessoas fãs de Iron Maiden podem ouvir a música 2 Minutes to Midnight, que fala desse tema). No universo de Watchmen, paralelo ao nosso, a ameaça soviética está em curso e o relógio se aproxima cada vez mais para a meia noite.

O interessante desse tema é que durante o filme o relógio é algo natural e que vai aparecer em diversas cenas. Isso é legal, pois sempre vai trazer a lembrança ao espectador do real perigo: uma guerra nuclear que pode destruir o mundo todo. Isso me levou a pensar em como as pessoas daquela época viviam (nasci em 1990), principalmente as americanas, com um medo intenso de que em breve tudo terminaria em uma explosão de mil sóis.

Mas onde entram os Watchmen aí no meio? Afinal, por enquanto estou descrevendo um filme de espionagem e só. Na verdade, a participação deles nisso é nenhuma. A força-tarefa dos Watchmen já está aposentada há muito tempo e vestir-se como um vigilante mascarado é considerado crime. Mas então surge alguém matando mascarados e então uma série de eventos começa a se desencadear, em paralelo ao conceito de guerra nuclear, onde somente o todo-poderoso Dr. Manhattan realmente participaria ativamente, tentando destruir, desviar ou o que quer que seja essas bombas.

Rorschach

Rorschach

Nisso, surge o personagem principal e narrador do filme: Rorschach (Jackie Earle Haley), um dos aposetandos Watchmen. Não aceitando sua aposentadoria, ele segue vivendo à margem da sociedade, foragido e procurando fazer justiça com as próprias mãos. E resolve investigar o caso do assassino de mascarados, o que o leva a tentar reunir novamente todos os antigos heróis.

Rorschach é um dos personagens mais legais já criados. Sua característica brutal e de justiça a qualquer custo nos leva a pensar na questão do ser humano. Rorschach, apesar de um tanto sanguinário e vingativo, é talvez o mais humano de todos os Watchmen. Além de ser ele que traz esse clima noir mais ainda à tona, usando um sobretudo e um chapéu, além de possuir um diário que vai narrando os eventos do filme. Classy.

E, claro, espere por bastante ação. Apesar de fugir dos conceitos comuns de um filme de super herói, Watchmen ainda é um filme sobre heróis. E dificilmente se sustentaria sem boas doses de ação, com momentos tensos e boas coreografias de batalha. Mas acredito que ninguém vá gostar do filme tão somente por isso.

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Watchmen também teve uma escolha excelente de trilha sonora, com músicas de consagrados artistas, como Bob Dylan, Simon & Garfunkel e Smashing Pumpkins. Esse encontro de músicas antigas com novas composições traz um ar fresco ao filme e define bem o que é Watchmen: uma história com um contexto até mesmo muito batido (Guerra Fria), mas com uma execução surpreendente e com muita personalidade, principalmente por termos heróis tão humanos (e até mesmo inumanos, como o Dr. Manhattan) em uma época extremamente conturbada da humanidade.

No fim das contas, as 3 horas e 35 minutos voaram e eu fiquei com vontade de ver mais. Mas isso só ocorrerá quando eu ler os quadrinhos. Agora estou com vontade de superar o meu desgosto por essa mídia e enfrentar a leitura de todos os fascículos de Watchmen.

Quanto ao filme, concluindo, trata-se de uma desconstrução do super herói, com um roteiro extremamente original e recompensador, com um clima extremamente cativante  e intimista. Eu gosto muito dessas reconstruções históricas, desse E SE… Não se aprende história propriamente dita com esse filme, mas vemos bons conceitos empregados, principalmente em relação a esse medo de cataclismo e pode aguçar a vontade de quem vê a querer aprender mais sobre a época em que chegamos muito próximos à meia noite.

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

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About Neto

Formado em História em 2011 pela UNESP Franca.

Posted on January 15, 2013, in Resenhas and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 7 Comments.

  1. Olha Neto, não sei o motivo de você não gostar de HQ (se é um motivo gráfico, por exemplo), mas dê uma chance pra Watchmen sim. É um quadrinho adulto (a tal de graphic novel) e o tom é bem sombrio (no maior estilo Guerra Fria mesmo). Fora que ela é cheia de referências que o filme não conseguiu captar.
    Aliás, de todas as adaptações de HQ pra cinema, Watchmen e Sin City foram as mais fieis. Infelizmente, o Alan Moore não gosta das adaptações por N motivos (lembro que li uma reportagem que ele fala que é impossível transmitir para a tela as emoções de uma HQ, e ele até que está certo, pelo menos com as HQs dele, onde tem MIL referências e acontecimentos que um filme não consegue adaptar MESMO). Enfim, extremismos à parte, muita gente conheceu Alan Moore pelos filmes e eu fico contente, pq é um material de ótima qualidade.
    E o diretor fez o impossível até. Com as quase 4 horas ficou mais fácil de colocar todo o conhecimento da HQ, mas mesmo assim, é muita informação e ficou ótima. Melhor filme dele 😀

    Ótima crítica, Neto! 😉

    • Também achei o melhor filme do Snyder que vi até hoje. E acho que são mídias muito distintas: um quadrinho não pode fazer o que o cinema faz 100% e vice versa. Tudo é adaptado, se levar por extremismos é foda.

      E quem vai assistir uma adaptação, seja de livros, videogame, quadrinhos ou o que quer que seja, no cinema, tem que saber que coisas mudarão para caber nesse tipo de mídia.

      Eu pretendo ler o Watchmen agora sim, e você vai me emprestar mwahahaha

      Obrigado pelo elogio 😀

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