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[Resenha/Filme] Sangue Negro

Sangue Negro

Nome original: There Will Be Blood

Ano: 2007

Diretor: Paul Thomas Anderson

Tempo de filme: 158 min

É difícil falar sobre dramas. Normalmente acho difícil passar o que assisto desse gênero para o papel e acho que o brilho desse tipo de produção fica muito mais por conta da atuação dos atores do que por qualquer outro motivo. E isso já é motivo suficiente para assistir a Sangue Negro.

O filme conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um homem do petróleo que atua entre o finalzinho do século XIX e o início do século XXI, arrendando terras (ou comprando-as), perfurando seu solo em busca de ouro negro. É um homem de sucesso, diga-se de passagem e basicamente onde ele toca vira ouro (negro).

O filme todo vai se focar na construção do personagem de Daniel Plainview e vai mostrar seus momentos como homem de negócios e também como pai de família. Um sujeito complicado, ganancioso, com o dom do discurso e bastante bipolar. E para isso somente um grande ator poderia fazer certo.

Daniel Day-Lewis brilha o filme todo, contra um cenário árido, desértico e ensolarado das inóspitas localizações onde o filme é rodado, especialmente na cidade de Little Boston, que se transforma completamente graças a Plainview. O ator dá um show, o que já era de se esperar. O personagem é deveras complexo e Lewis o traz à vida com muita facilidade, colocando trejeitos, expressões duras, movimentos específicos e sua voz soa muito condizente com o personagem. É uma atuação bastante verdadeira, sem truques, que me fez acreditar naquele homem e até mesmo compreendê-lo em seus diversos momentos de uma insanidade justificada.

Freasier e Day-Lewis

Freasier e Day-Lewis

Todos os problemas de Plainview, no entanto, acabam sendo gerados ao redor de seu filho, H. W. (Dillon Freasier [criança – maior parte do filme]/Russell Harvard [adulto]), um garoto que serve como propaganda a seus negócios e acaba facilitando o trabalho dele. Freasier trabalha bem como um garoto sem muita motivação e que aparenta amar o pai acima de tudo. Todo o drama vai girar em torno da relação de pai e filho e a ligação dos dois é enorme e Daniel Plainview não sente vergonha alguma de demonstrar todo o seu amor ao seu filho, em uma época onde as relações desse tipo eram baseadas no distanciamento e obediência total por parte dos filhos.

Por fim, o último tema que o filme vai abordar com certa força é o da religião, cujo personagem central é o pastor Eli (Paul Dano) e, caso não fosse Daniel Day-Lewis como o personagem principal, facilmente ele ofuscaria as cenas onde contracenam. Dano faz um papel forte e perturbado, procurando fazer sua Igreja da Terceira Revelação crescer e buscando o apoio de Plainview, que busca negar a religião de todas as formas possíveis.

Desse triângulo se forma o personagem de Daniel Plainview, entre o petróleo, a família e a religião. Um homem duro, poderoso e esperto.

Dano e Day-Lewis

Dano e Day-Lewis

O filme é bastante forte e trata de temas um tanto incômodos. O personagem de Day-Lewis causa uma impressão boa de início e sua desconstrução é brutalmente feita durante as duas horas e meia de filme. Ao final, sentimentos mistos pelo personagem podem ser facilmente encontrados dentro de quem assiste. Mas uma coisa é positiva: a atuação de Day-Lewis foi impecável.

O clima do filme é realçado ainda mais devido à secura em que se encontram os cenários: desertos e fazendas onde nada nasce. Daniel vem trazer prosperidade para a cidade de Little Boston, com o custo de secar as reservas de petróleo, mas a desolação e melancolia estão o tempo todo estampadas no cenário. As cenas em buracos claustrofóbicos devido à perfuração também causam desconforto devido às condições dos trabalhadores, sempre sujos de petróleo, lama e poeira.

Por fim, há uma trilha sonora forte e muito presente, que dá um tom que às vezes pode-se imaginar até mesmo se tratar de um filme de terror. Achei que todas as músicas se encaixaram bem na proposta das cenas, carregando de ainda mais emoção e sentimento a vida do próspero Daniel Plainview.

Sangue Negro é um filme excelente, porém cobra caro: é bastante lento. Quem não tiver paciência para um drama comum, deverá passar longe desse filme, que pode entediar até mesmo quem está em busca tão-somente de ver a atuação impecável de Daniel Day-Lewis, apresentando longas cenas de close em personagens e suas feições, bem como uma introdução enorme com quase nenhum diálogo, porém que é essencial para compreendermos quem é Daniel Plainview.

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] Django Livre

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Nome original: Django Unchained

Ano: 2013

Diretor: Quentin Tarantino

Tempo de filme: 165 min

Ontem fui ao cinema assistir a Django Livre, o novo filme de Quentin Tarantino, controverso diretor de filmes cultuadíssimos, como Pulp Fiction, Cães de Aluguel, Kill Bill e Bastardos Inglórios. O filme gira em torno de Django (Jamie Foxx), um negro nos Estados Unidos antes da Guerra Civil, ou seja, ainda na época da escravidão. O filme é um faroeste propriamente dito, com muitos momentos que remetem aos antigos bang bang, especialmente a época dos Spaghetti Western.

E que escravidão. Depois de ver o filme fiquei com a impressão de que a coisa lá era pior do que foi aqui. Sei que as diferenças se bobear nem foram tantas, mas o filme ressalta tanto a questão do negro, e de uma forma tão brutal, que fico com a impressão de que o branco americano dos Estados Unidos à época da escravidão era pior do que o brasileiro em relação aos escravos.

Veja bem, certamente a palavra mais citada no filme é nigger, traduzida como crioulo na versão nacional legendada (e a dublada que vá à puta que pariu). E isso já fala muito sobre o filme por si só. Nigger é uma palavra extremamente depreciativa e usada ainda hoje como insulto lá pelas terras do Tio Sam. E quase não se referem aos escravos de outra forma que não essa durante todo o filme. Todo negro é um crioulo para eles, não existe o menor respeito entre o branco e o negro. O filme consegue ressaltar isso de forma perfeita e o desprezo latente dos brancos para com os negros é perfeitamente visível.

Why is that nigger on a horse?

Why is that nigger on a horse?

Django no filme se torna um caçador de recompensas e por isso anda a cavalo. O desespero e medo das pessoas ao verem um negro a cavalo é avassalador. Ouve-se muitas vezes a fala “Why’s that nigger on a horse?” (“Por que esse crioulo está em cima de um cavalo?”).  Esse medo por parte dos brancos de um negro estar acima deles é mais uma vez bastante evidente a todo o momento. E isso é facilmente percebido pelo personagem de Leonardo DiCaprio, um senhor de escravos fazendeiro, que chega a se questionar por que os  negros não se revoltam, afinal, há muitos mais deles lá (na fazenda) do que brancos.

DiCaprio, porém, encontra a resposta em uma suspeita ciência, que diz que os negros possuem marcas no crânio que os dedicam à servidão. Isso é mais um ponto que me pôs a pensar, pois a escravidão ao passar dos tempos foi se justificando cada vez mais. Prisioneiros de guerra, pessoas de outra raça/cor, pessoas sem Deus no coração… e esse motivo científico pode se juntar facilmente a esse rol de falácias que buscam justificar um ato hediondo de se possuir um ser humano.

Essa subserviência é completamente rejeitada por Django que, após se juntar com o dr. Schultz (Christoph Waltz, o coronel Landa, de Bastardos Inglórios), um alemão em terras americanas, começa a tomar gosto pela desobediência ao branco. E assim começa uma onda de vingança, com muito tiro, sangue, tripas espalhadas, explosões e muito mais.

Waltz e Foxx

Waltz e Foxx

Nisso Tarantino é mestre. Sinceramente, ninguém consegue criar uma violência tão divertida quanto ele. É muito engraçado ver um cara explodir após um tiro. E não é só porque é exagerado, mas sim porque é feito para parecer divertido. Dei risada com cabeças explodindo, devido a toda a situação. E não é também porque é para ser engraçado… eu não consigo encontrar o motivo, mas o conjunto da obra faz essa violência ser extremamente hilariante.

E também o filme tem uma comédia extremamente engraçada. Há inúmeros momentos de doer a barriga de tanto rir, especialmente em um onde um protótipo da Ku Kux Klan é ironizado, mostrando o quão ridículos são aqueles capuzes… ridículos porém perigosos, obviamente.

E as brilhantes atuações de todos os atores envolvidos são excelentes. O filme é muito bem estrelado, com os três principais sendo Jamie Foxx, Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio.

Quanto ao principal, Jamie Foxx, sua atuação é muito boa. Ele atua muito bem como o escravo sem instrução alguma, que desconhece palavras fáceis como “positive“. Sua atitude irritadiça e revoltosa contra os brancos é justificada pelo plano de fundo e muito bem executada por ele. Nas cenas de ação rápidas com tiroteio e até mesmo chicotadas, Foxx atua com enorme naturalidade. Seu personagem não é assim tão difícil e traz muitos clichês de filmes de ação e também dos antigos faroestes, do pistoleiro buscando vingança.

DiCaprio vem como um fazendeiro dono de escravos e francófilo (mas que não fala francês – haha). Um cara ligeiramente pacato e com amor à brutalidade da luta de escravos, o personagem do ator é bastante difícil. Ele mesmo diz que não é tão simples demonstrar desprezo a grandes atores negros por causa do papel. Certamente o monsieur Calvin Candie é um dos personagens mais nojentos e ultrajantes atuados por DiCaprio. Um ser mesquinho, preconceituoso e poderoso. Os melhores momentos são nos de explosão e raiva incontida, pois a melhor expressão deste ator, para mim, é a de raiva. Parece ser muito natural para ele sentir raiva e se ver no controle da situação.

DiCaprio

DiCaprio

O filme, no entanto, é de Christoph Waltz. Em Bastardos Inglórios já vimos uma atuação sem precedentes com um personagem terrível, e em Django Livre ele faz um papel totalmente contrário: o do estranho em uma terra estranha. Seu nojo pelos senhores de escravos é aparente e transpassado para os espectadores com naturalidade, especialmente quando presenciando os abusos de escravos – ao passo em que isso é normal para Django (mas não menos deplorável). O personagem de Waltz é intrigante e se identificar com ele é fácil. Sem ele, o filme não funcionaria de forma tão boa e se tornaria mais mediano sem ele. O dr. Schultz é o elo de ligação de tudo (inclusive do espectador para com a tela), o cérebro do filme de qualquer forma e toda ação tomada por ele é justificável e feita com naturalidade incrível, um personagem bastante calmo e sem papas na língua, que porém interpreta diversos personagens quando necessário.

Com uma participação menor, porém não menos brilhante, temos também Samuel L. Jackson, com seu personagem escravo Stephen, um lambe-botas do monsieur Calvin. É um personagem extremamente mesquinho e que não consegue se colocar no seu lugar e age como se fosse algo mais do que um escravo, como se fosse o braço direito de seu senhor, oferecendo-lhe conselhos e delatando seus iguais. Percebe-se que ele é o mais preconceituoso personagem de todos e isso revela mais ainda sobre o filme, trazendo ainda mais à tona sua questão atual, que trata essencialmente sobre o quão preconceituoso somos para com nossos iguais, somente por gozarmos de um status mais avantajado. Sua atuação é tão boa que é possível até mesmo se pensar se Jackson está mesmo velho daquele jeito e mancando… mas seu sotaque de escravo “mano” é impossível de ser identificado, e traz mais personalidade ainda.

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L. Jackson

Tecnicamente impecável, a trilha sonora junta o antigo com o novo, dando o tom certo ao filme. Músicas antigas trazidas diretamente dos vinis originais de Tarantino dão o tom perfeito para Django Livre. Ennio Morricone e Luis Bacalove, duas lendas das trilhas sonoras dos filmes de faroeste marcam presença, enquanto ouvimos em vários momentos hip hop misturados com o ritmo faroeste. Simplesmente impagável, a trilha sonora se mostra marcante desde a primeira cena do filme, com a música tema do filme Django original (cujo ator principal participou também de Django Livre).

Sem título

“Uma nota sobre a condição de gravações mais antigas: Eu estou usando essa trilha sonora – muito dela veio da minha coleção pessoal de vinis. Em vez de as gravadoras me fornecerem novas versões digitalizadas e mais limpas dessas gravações dos anos 60 e 70, eu quis usar os vinis que eu estive ouvindo por anos. Completo com todos os ruídos. Eu até mesmo mantive o som da agulha sendo abaixada no disco. Basicamente porque eu quis que as pessoas tivessem a experiência igual à minha quando eles ouvissem essa trilha sonora pela primeira vez. – Q(uentin)”, imagem tirada do livreto da trilha sonora oficial do filme.

A direção de arte, fotografia e tudo mais do filme também é maravilhosa, mostrando a degradação do negro escravo e a ascensão de Django como um vingador da raça. Ponto especial também para o figurino do filme.

Django Livre é um filme excelente. Tarantino nos trouxe mais uma obra prima, cheia de humor, mas na medida certa, suficiente para nos manter entretidos e nem um pouco entediados. A ação também é bastante equilibrada com os diálogos maravilhosos e reviravoltas de tirar o fôlego. Tarantino é um diretor que faz o que você menos espera quando ele quer e muitas coisas que acontecem no filme podem ser um choque, totalmente imprevisíveis.

Ouça a música tema do filme, Django.

Vão ao cinema e gastem seu dinheiro com Django Livre. Vale a pena. E muito. É até mesmo aconselhável levar o seu avô que adorava ir ao cinema todo fim de semana assistir a um filme de velho oeste, pois muitos clichês da época são encontrados, apesar de ter uma faceta extremamente atual. Quem sabe o gênero não consiga ser revivido depois de Django Livre? Eu espero que sim!

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] A Pele que Habito

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Nome original: La piel que habito

Ano: 2011

Diretor: Pedro Almodóvar

Tempo de filme: 120 min.

Como falar de um filme tão diferente do normal? Um filme que começa tão inocente e até mesmo bobo e logo se torna uma experiência surreal, carregada e densa?

A Pele que Habito, do diretor Pedro Almodóvar, foge totalmente do padrão de filmes que estou acostumado a assistir. Mais uma vez foi recomendação da minha namorada. Eu esperava um drama, algo um pouco pesado, mas não tão pesado. Algo para refletir, mas não algo para amargar.

O filme tem uma premissa até simples: um cirurgião plástico, Roberto (Antonio Banderas), e sua obsessão em criar uma pele tão perfeita que fosse resistente a tudo, até mesmo a queimaduras. E esse tecido é posto a teste em uma mulher chamada Vera (Elena Anaya – que dá um show de atuação também). Essa obsessão pela pele obviamente leva Roberto a também ser obcecado por seu objeto de teste.

Bom, acho que aí já deu pra perceber um quê de Frankenstein, né? Literalmente, o filme soa bastante como o clássico com uma roupagem moderna, onde o doutor Roberto desafia todas as regras de conduta para poder testar sua pele geneticamente modificada.

De início, fui levado a crer que  filme ficaria girando na jornada de Roberto na criação do tecido de Vera. Mas não, é aí que o filme começa a ter uma reviravolta gigantesca e o filme é uma jornada incessante de sentimentos mistos causados no espectador. Veja bem, não sou acostumado com cinema europeu nem nada, mas pelo que um amigo meu disse, cinema espanhol é quase sempre dessa forma: denso, pesado, carregado.

Se você quer um filme leve, não vá assistir A Pele que Habito. Depois de 1/4 do filme, logo o filme começa a martelar o espectador. Coisas surpreendentes acontecem e aí começa o mistério principal: afinal, quem é Vera? Então, conforme o filme vai se adiantando, somos brindados com o horror da criação do doutor Roberto e vemos que sua obsessão não é necessariamente com a pele perfeita.

O doutor é o perfeito reflexo do médico louco. Atormentado por muitos fantasmas do passado e envolvido por sua pesquisa (também motivada por um desses fantasmas), Banderas encarna um papel muito difícil, ambíguo, sádico, insano. E o papel lhe soa deveras natural e as motivações de seu personagem são extremamente cabíveis. É um personagem bastante humano, extremamente humano, que se deixa levar por suas emoções, sem pensar racionalmente.

Isso nos leva ao ponto onde percebe-se que basicamente todo o núcleo principal do filme sofre de problemas psíquicos. Esse é um dos motivos do filme ser pesado: quando os atores encarnam bem papéis desse calibre e conseguem transpassar sua emoção, a identificação com o espectador é direta. E quanto mais forte essa ligação, mais emoções vai evocar de quem assiste.

Banderas e Anaya

Banderas e Anaya

Mas não pense que vamos sentir raiva de um inimigo ou amor. É outro tipo de sentimento, algo difícil de se definir. É uma “coisa ruim”, eu não sei explicar direito. Percebi no meio do filme que estava respirando mais forte e meu coração estava ligeiramente batendo mais rápido, e isso causava um aperto enorme. Ao final do filme minha cabeça estava pesada e era difícil eu conseguir somar tudo aquilo e colocar no papel (digo, na tela do computador).

Claro que a trilha sonora ajuda, com uma orquestra tocando músicas melancólicas e tensas nos momentos intensos do filme. Na questão de produção de sonoplastia, não podemos nos queixar. A direção de Almodóvar é precisa e cheia de uma paixão incontestável. É como se cada cena, cada diálogo, quisesse tocar a alma do espectador.

A Pele que Habito não é um filme para qualquer um, porque tem um caráter de thriller e é um filme essencialmente forte. E não adianta virar o rosto, porque não há nada visualmente impressionante. É todo o feeling do filme que nos faz sentir mal. Ensina muitos filmes de terror a criar um horror forte e sólido.

O filme acabou já faz quase uma hora, mas ainda estou pensando sobre ele. E provavelmente pensarei para sempre, pois é um filme que  nos desafia a pensar até onde o ser humano é capaz de ir quando a loucura toma conta. Mas a jogada de mestre de A Pele que Habito é simplesmente dar motivos tão plausíveis para essa loucura que somos obrigados a pensar que até mesmo nós podemos ficar loucos, só depende do por quê.

A Pele que habito 5

Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] A Origem

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Título original: Inception

Ano: 2010

Diretor: Christopher Nolan

Tempo de filme: 148 min.

E se a sua mente fosse a cena do crime? E se te dissessem que nem mesmo nos seus sonhos você está livre para guardar seus mais preciosos segredos? E se tudo isso fosse te contado por um filme?

A Origem é basicamente um filme de heist, um gênero próprio para filmes sobre assalto a locais altamente protegidos, como bancos. E assaltar uma mente, um cérebro, é algo muito mais difícil, pelo menos a meu ver. O filme de Christopher Nolan vai tratar desse assalto de uma forma no mínimo confusa.

A confusão é gerada principalmente porque, via de regra, o cérebro é algo confuso e difícil de ser mapeado. E um filme que trata de sonhos, algo muito mais subjetivo e complicado, claramente vai ser de difícil absorção. Não é difícil ouvir dizer por aí que o filme é chato porque é difícil e porque “não entendi nada”. Muita gente (inclusive eu) vai precisar assistir várias vezes. E mesmo assim as respostas encontradas serão inconclusivas.

Essa dificuldade de obter respostas conclusivas é principalmente devido ao protagonista do filme, Cobb (Leonardo DiCaprio), o chefe da “empresa” que executa estes assaltos. O personagem é atormentado por fantasmas do passado, essencialmente de sua mulher, Mal (Marion Cotillard), e isso vai envolver o espectador a pensamentos e questionamentos sobre o que é real e o que é sonho. E a cada vez que assisto ao filme, penso em coisas diferentes. A Origem é o tipo de filme que vai te fazer querer assisti-lo várias e várias vezes, para tentar buscar cada vez mais fragmentos de uma possível resposta, mesmo sabendo que, ao fim das contas, não há uma exata.

Cotillard e DiCaprio

Cotillard e DiCaprio

Já a complicação vem por outro motivo: os sonhos propriamente ditos. Para penetrar cada vez mais fundo no subconsciente, onde uma ideia deve ser extraída ou implantada de forma mais efetiva, é necessário ir cada vez mais fundo nos níveis do sonho. E isso significa “sonhos dentro de sonhos”. Por exemplo, imagine você dormindo, e no seu próprio sonho, sua persona adormecer e então sonhar mais uma vez. Seria o sonho do seu sonho. E tudo isso é interligado pela ideia de sonhos compartilhados, com Cobb e sua equipe entrando dentro desses cenários, reconstruindo as localizações conforme a necessidade.

Mas não é de forma alguma um filme injusto. Tudo isso não é jogado na cara do espectador de uma vez e falado “se vira”. Não, Nolan fez o filme explicando absolutamente todos os pormenores da complicada estrutura onírica que criou para o universo do filme. Tudo bem, as primeiras cenas, cheias de ação em mais de um ambiente, pode ser complicada. Mas isso é feito justamente para introduzir esse conceito de sonhos circunscritos, mas logo depois nos é explicado claramente as coisas, desde o design de um sonho até as consequências de se morrer durante o sonho.

O grosso para o entendimento do filme é compreender como funciona essa estrutura de sonhos. Dentro dessa estrutura, o que temos é um filme essencialmente de ação com um bom tanto de drama (principalmente por parte de Cobb). Muitos tiroteios, perseguições e cenas de luta. Mas tudo isso se torna muito atrativo devido justamente a essa estrutura mencionada acima, pois uma coisa pode afetar a outra.

Por exemplo, ao adormecer dentro de um carro em movimento, isso pode afetar os sonhos, levando o local a gravidade zero caso em queda livre do veículo. Isso desencadeia toda uma sorte de possibilidades que Nolan utilizou muito bem, com tiroteios e lutas basicamente flutuando, com momentos críticos e cheios de tensão.

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Isso nos leva também a falar sobre a qualidade da produção do filme. A Origem é um filme de encher os olhos, com uma fotografia maravilhosa e um trabalho tecnológico excelente. Mas isso era necessário, pois em um mundo de sonhos, tudo é possível, principalmente brincar com a física, a gravidade e etc.

E a atuação é top-notch. Leonardo DiCaprio é hoje um dos meus atores favoritos, a cada filme dele me impressiono mais. Acho sensacional a forma com que ele atua, e suas expressões são marcantes. O restante do time também não fica atrás, com atuações excelentes, de figuras que estão sempre por aí em filmes do Nolan, como Joseph Gordon-Levitt e Michael Cane. Ellen Page também se mostra bastante versátil, e, junto com Marion Cotillard, são as únicas mulheres do elenco principal do filme.

Não bastasse isso, a cereja do bolo de A Origem fica por conta da trilha sonora de Hans Zimmer. Eu sou muito fã do trabalho de Zimmer, e nesse filme eu digo que ele atingiu seu ápice, com uma trilha forte, emocionante e dramática. Eu já me peguei várias vezes querendo comprar o cd com a trilha sonora original do filme, e a cada vez que vejo, mais me impressiono, principalmente pelo trabalho de colocar as músicas de forma magistral durante as cenas do filme. Isso vale muito, pois deixa a coisa muito mais imersiva.

A Origem é um filme de tirar o fôlego. Imersivo, tocante, emocionante e eletrizante. Elogios não faltam para eu descrever esse filme. Já devo tê-lo assistido umas quatro vezes (assisti mais uma antes de escrever essa resenha). E não tenho medo de falar: é o meu filme favorito.

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] Bastardos Inglórios

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Título original: Inglourious Basterds

Ano: 2009

Diretor: Quentin Tarantino

Tempo de filme: 153 min.

Sou um historiador de meia-tigela. Em 2009 eu já cursava a faculdade e deveria é engolir todos esses filmes que tratam de História. Não foi o que fiz, e deixei passar muitos filmes sobre isso. E bons filmes, que vários amigos sempre indicavam. Um deles era Bastardos Inglórios, do aclamado Tarantino. Não sei por quê, eu sempre ligo a figura desse diretor a uma caricatura imensa em seus filmes (que vi muitos poucos). Isso deve ser devido a Kill Bill, com suas fontes de sangue jorrando do mínimo corte feito na pele. E mesmo assim eu gostei muito de Kill Bill. Não vi mais nada do Tarantino, nem mesmo Bastardos Inglórios, não sei por quê.

Mas depois de muita indicação, inclusive da minha namorada, decidi que era chegado o momento de assistir a esse filme. Nota 8,3 no IMDB, o que é algo que poucos filmes têm a sorte de ter. Normalmente, um bom filme no IMDB tem nota de 6,0 para cima. Notas maiores do que 8,0 pode ter certeza que o filme tem algo de especial, que é quase uma obra prima.

O filme já começa promissor. A introdução de um dos personagens-chave do filme, o Cel. Landa (Christoph Waltz), da SS, é magistral. A sequência inicial do filme é de tirar o fôlego e já vai mostrar um dos principais trunfos do filme: a atuação. Simplesmente sensacionais, é aquele caso onde os atores, mesmo sem falar nada, conseguem demonstrar o que está se passando na cabeça deles. E isso pode trazer enorme desconforto ao espectador (o que é ótimo), pois Bastardos Inglórios é um filme intenso e tenso.

Não poderia se esperar menos de um filme sobre nazismo, um dos períodos mais conturbados, violentos e sádicos da humanidade. O filme se passa na primeira metade da década de 40. Ou seja: durante a Segunda Guerra Mundial, na França ocupada pelos nazistas. Uma coisa interessante de se reparar é o destaque maior para Joseph Goebbels (Sylvester Groth) do que para o Führer (Martin Wuttke). O Ministro da Propaganda do Terceiro Reich é uma figura central no filme, o que demonstra abertamente a essência do nazismo: a propaganda. Essa propaganda é veiculada também na forma de filmes, todos feitos para exaltar o soldado, a identidade e o nacionalismo alemão.

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E o filme é basicamente sobre um filme, feito com esse intuito. Baseado nas façanhas do soldado Fredrick Zoller (Daniel Brühl), todo o drama do filme acaba girando em torno da noite de estréia da película na França, contando com a presença dos mais altos comandantes do Terceiro Reich. E é aí que entra a missão mais importantes dos chamados Bastardos.

Os Bastardos são um grupo de operações formado nos Estados Unidos com um único intuito: matar nazistas. Tudo comandado pelo Tenente Aldo Reine (Brad Pitt), aqui começa um pouco da caricatura: a matança dos nazistas é, de alguma forma, divertida. Tarantino fez algo interessante aqui: quando os nazistas estão sendo espancados, alvejados, escalpelados ou outra coisa violenta, isso é feito de forma divertida. É bastante caricato e com trilhas sonoras não de tensão, mas de pura diversão. Quando é o contrário, quando algum nazista está sendo violento com outro personagem, o clima de tensão e terror já é muito maior. Isso é mestre e mostra muito do caráter do diretor, do que ele pensa: matar os nazistas é fazer justiça.

Isso nos leva a um ponto alto (mais um) do filme: a trilha sonora. Uma seleção de músicas de extremo bom gosto, é daqueles filmes onde a trilha realmente afeta o espectador, deixando-o atônito, exasperado, temeroso e etc. Isso ajuda muito no clima de “e agora, o que acontece?” que o filme sugere, pois a tensão estará sempre com o espectador.

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Acredito que muita dessa tensão também se deva à escolha do diretor de dividir o filme por capítulos. Essa semelhança com um livro traz essa sensação, pois eu, pelo menos, sou movido a essa curiosidade de terminar logo um capítulo para saber como vai ser o próximo. E isso é trazido para Bastardos Inglórios, de forma que cada capítulo possui uma importância específica, deixando os vários focos narrativos cada vez mais interligados, de forma a que as ações se cruzam e se completam ao final.

Tecnicamente o filme é sensacional. Jogo de câmera, figurino, efeitos… tem tudo para encher os olhos, pois a reconstrução da época ficou realmente excelente. Achei incrível como mesmo estando na França, Tarantino não mostrou nem sequer uma mísera imagem da Torre Eiffel. Mas mesmo assim, é possível se sentir dentro da França e também perceber a assustadora e monstruosa presença dos alemães, que claramente são demonstrados como intrusos.

Sinceramente, não tenho do que reclamar. Inclusive porque a História em si não foi respeitada nas vias de fato. O final é surpreendente justamente por causa disso, pois a ousadia do filme vai além do comum, que seria respeitar os caminhos ocorridos na realidade. Como isso é um filme, essa mudança é muito bem vinda, pois quanto mais nos surpreendermos positivamente, melhor é um filme.

Por outro lado, o universo nazista na França ocupada e seus valores estão muito bem representados no filme, e isso é o que de melhor se pode tirar da ficção baseada no real: a reconstrução e representação de valores. Posto isso, todo o resto ser ficcional é melhor ainda, justamente para sermos surpreendidos.

Bastardos Inglórios é essencialmente tenso e tem uma mensagem a passar. De vingança, de redenção, de civilidade. Mas não é por isso que o filme é excessivamente sério. Pelo contrário, o clima descontraído e de humor está presente em muitas cenas, principalmente nas que Brad Pitt aparece, com um sotaque do sul dos EUA pra lá de engraçado. E eu ainda quero entender por que o título em inglês é escrito errado…

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] 007 – Quantum of Solace

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Título original: Quantum of Solace

Ano: 2008

Diretor: Marc Forster

Tempo de filme: 106 min.

Depois de terminar Cassino Royale fiquei com muita vontade de assistir às sequências dos filmes do James Bond com o Daniel Craig. Gosto dessa pegada mais realista e não tão fantasiosa do agente secreto, sem tantos gadgets cabulosos e etc. O que eu gostei no primeiro filme foi que o 007 é um personagem inteligente, forte, bem treinado e dotado de imensa capacidade de pensamento lógico, sem precisar recorrer a tecnologias mirabolantes – essa parte foi deixada mais para seu bureau e uma ou outra coisinha.

Enfim, hoje assisti a 007 – Quantum of Solace, o segundo filme da trilogia com o Daniel Craig. Dei o play esperando algo horroroso, um verdadeiro aborto do cinema, pois vi muita crítica negativa por aí, de pessoas tachando o filme de lixo para baixo. Enfim, vi com as menores expectativas possíveis, já preparado para malhar o filme quando escrevesse a crítica.

E acho que não vi o mesmo filme do que toda essa galera, ou eu que não sou assim tão exigente.

Encare 007 – Quantum of Solace como um filme puramente de ação. Aqui não há tanto espaço para o James Bond calculista e de pensamento extremamente lógico. O que temos nesse filme é um agente secreto movido pelo seu senso de vingança contra quem desencadeou os terríveis fatos do primeiro filme.

Essa falta de profissionalismo e senso de justiça pelas próprias mãos leva Bond a ser caçado inclusive por seu próprio quartel general, além de ter diversos outros inimigos. Portanto, o filme contém muitas cenas de fuga e perseguição. E há espaço para absolutamente tudo: carros, motos, barcos e até mesmo aviões. Não me lembro de ter visto um filme com tanta diversidade de veículos de fuga, e essas cenas são excelentes e claramente é o maior atrativo do filme.

James Bond (Daniel Craig) e Camille (Olga Kurylenko), os protagonistas do filme.

James Bond (Daniel Craig) e Camille (Olga Kurylenko), os protagonistas do filme.

O enredo no geral não é assim surpreendente – mas Cassino Royale também não foi, mesmo tendo uma história bem mais robusta e interessante -, mas consegue prender na medida certa, por mais clichê que seja isso de golpe de estado, interesse em recursos naturais, corrupção de agentes de governo e sociedades secretas; e o vilão principal do filme, Dominic Greene (Mathieu Amalric) não é lá tão interessante e não tem 1/10 da expressividade de Le Chiffre, do primeiro filme.

E se essa historinha não é lá tão interessante, há bastante coisa para se ver no filme: perseguições, fugas, tiroteios, explosões, combates corpo-a-corpo… é tudo o que um bom amante de filmes de ação pode esperar. Além de bons diálogos e tiradas engraçadas que James Bond dispara a torto e a direito. É um filme divertido, por assim dizer, não é cansativo de forma alguma.

A trilha sonora é boa, mas não é marcante como a do primeiro filme – a começar pela música introdutória, que não chega nem perto de You know my name, de Chris Cornell. Mesmo assim, se faz presente nas cenas de ação, principalmente em uma que é muito, mas muito boa, onde os sons ambientes são abafados e ouve-se ao fundo apenas uma sinfonia vinda de uma ópera. Pode soar clichê até, mas não se pode negar que tem muita classe nisso.

O filme é tecnicamente impecável também, com boa direção de câmeras e uma boa fotografia, visto que o filme se passa em mais de quatro países (pelo menos), destacando-se bastante a diferença entre eles, especialmente as regiões da Bolívia, onde o filme se passa majoritariamente; o trabalho dos atores também não deixa a desejar, apesar de ter achado as atuações de Cassino Royale ligeiramente mais expressivas e impactantes.

Eu até compreendo o ar de decepção que Quantum of Solace deixou para os fãs do 007, pois a atmosfera de espionagem de Cassino Royale era muito maior, era um filme com um drama mais profundo e com personagens e vilões mais interessantes. Sim, o primeiro filme é melhor, mas isso não quer dizer que o segundo seja horrível como dizem. É um bom filme de ação e consegue divertir.

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Nota final: 3 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] 007 – Cassino Royale

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Título original: Casino Royale

Ano: 2006

Diretor: Martin Campbell

Tempo de filme: 144 min.

Um dos meus maiores pecados cinematográficos era nunca ter assistido a nenhum filme do James Bond. Nem com Sean Connery, nem com Pierce Brosnan e nem com qualquer outro ator que tenha interpretado um dos agentes secretos mais famosos do mundo, se não o mais. Então eu decidi deixar de preguiça e assistir 007 – Cassino Royale, filme que deu reboot ao clássico dos cinemas, agora protagonizado por Daniel Craig.

Uma das coisas boas de não ser fã de algo que foi rebootado é justamente que não se espera absolutamente nada. Li por aí que fãs de longa data do agente secreto criado por Ian Fleming esperavam que Craig fizesse um trabalho ruim como James Bond, até mesmo implicando por ele ser loiro e outras bobagens a mais. Bom, talvez se eu fosse fã eu implicaria com tais trivialidades, mas como não, dei play no filme e assisti a 144 minutos de uma obra fenomenal.

Daniel Craig faz um papel excelente como um James Bond egocêntrico e até mesmo arrogante, de tão autoconfiante que é. Bom, se eu fosse o Bond, James Bond, eu provavelmente também seria desse jeito… é o FUCKING James Bond, é por isso que essa arrogância faz ele ser mais carismático ainda, e não nos faz nem um pouco ter aversão ao personagem. Bond é mulherengo, manipulador, cheio de si e, principalmente, badass.

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O cara é tão badass que inclusive se garante em uma partida de pôquer. Ou seja, não é só um manezão que sai dando porrada. Já seria esperada inteligência de um agente secreto, mas não uma astúcia para um jogo de cartas, decodificando o rosto dos adversários e tudo mais. A trama de Cassino Royale, como já era de se esperar por esse título, gira em torno desse jogo, que pode definir um mundo com mais ou menos terrorismo. Bond obviamente está a cargo de salvar o mundo, evitando milhares de mortes por conta do financiamento ilegal de armamentos pesados.

Em meio a tudo isso, há uma boa quantidade de cenas de ação, perseguições, lutas, tiroteios e tudo mais o que um excelente filme de ação pode exigir, mas com bastante conteúdo e até mesmo um pouquinho de drama, bem de leve, através do romance introduzido. À primeira vista, ele até mesmo soa forçado e besta, eu mesmo o julguei desnecessário, mas depois fui surpreendido pelo motivo de ele existir. E aí entra a boa atuação de Eva Green, no papel de Vesper Lynd, representante do enorme financiamento para que Bond possa derrotar Le Chiffre, o vilão do filme, no pôquer.

O filme seria bastante oco e bobo se não fosse o seu elenco, que dão um belo show de atuação (mas não se poderia esperar menos de Daniel Craig). O filme consegue ser divertido, emocionante e até mesmo surpreendente em vários momentos. Tudo isso coroado por uma trilha sonora maravilhosa, principalmente quando entram variações orquestradas da música tema do filme, que toca por inteiro em uma introdução longa, de mais de três minutos, mas que é extremamente bem feita e dá uma boa pincelada no que vamos ver durante o filme, tudo com o tema de cartas de baralho.

007 – Cassino Royale é um filme para todos os amantes de filmes de ação com um personagem badass. Entre os agentes secretos, eu ainda prefiro Jason Bourne (que tem uma das melhores trilogias do cinema), mas é bastante injusta a comparação: as propostas dos filmes divergem bastante, apesar de ambos serem filmes de ação. E agora estou ávido para assistir a continuação 007 – Quantum of Solace, apesar das críticas negativas que andei lendo sobre… mas não importa, assistirei em breve!

Nota: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] Star Trek

Star Trek

Título original: Star Trek

Ano: 2009

Diretor: J. J. Abrams

Tempo de filme: 127 min.

Depois de muito relutar, decidi assistir a Star Trek, filme de 2009 de um dos maiores ícones cult/nerd de todos os tempos. Se formos falar das origens da série, retornaremos à década de 60, com um seriado que hoje soaria cômico, pela falta de efeitos e até mesmo orçamento.

Como não sou fã de Star Trek em hipótese alguma, por nunca ter visto nenhum episódio ou filme, não posso falar sobre nada disso. Meu conhecimento antes de assistir ao filme de J. J. Abrams se limitava a saber que os nomes Spock e SS Enterprise faziam parte da série. Todo o resto era mistério.

Então nada melhor do que aproveitar as indicações de vários amigos e assistir ao filme estrelado por Chris Pine e Zachary Quinto, nas peles de Kirk e Spock, respectivamente. O filme serve como um início (eu nem sei se é remake, se é uma releitura da série original, se é algo bem fiel, nem nada) para tudo, então foi um prato cheio.

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O filme apresenta conceitos de viagem no espaço e no tempo e consegue executar isso de forma muito boa e fluída. O filme tem pouco mais de duas horas de duração, mas elas passam bastante rápidas, devido ao bom ritmo empregado, sem muito lenga lenga. É um filme de ação, com um pouco de humor, essencialmente.

E isso o torna bastante divertido de ser assistido. As situações são bacanas e o enredo, apesar de (obviamente) previsível, consegue prender por algumas surpresas e também por criar um bom elo de ligação entre o espectador e seus personagens, especialmente porque Kirk e Spock são deveras diferentes, e é aí que entra a boa mitologia apresentada logo no início do filme.

Por ser um filme com temas espaciais, existem extraterrestres. Spock não é humano… na verdade, é meio humano, meio vulcan. Foi criado inteiramente no planeta Vulcan, afastado da Terra, tendo contato apenas com sua mãe terráquea. Os residentes desse planeta são completamente avessos às emoções e sentimentos, driblando-os através do uso da lógica excessiva. Por isso, são superinteligentes e são inexpressivos, por assim dizer.

Se Spock é um ser inexpressivo, Kirk é o contrário: extremamente humano, irritadiço, emocional. Bem, não há muito o que falar, ele é basicamente um clichê do herói que deixa a razão de lado e salva o dia. Mas isso nem é uma crítica negativa, afinal, bons filmes são feitos ao redor de um personagem assim, e o motivo de terem sucesso é criar todo um universo interessante à sua volta, boas cenas e um bom ritmo. Não se pode esperar tanto mais de filmes de ação, penso eu.

Spock e Kirk

Spock e Kirk

Uma das minhas reclamações para com o filme é o vilão, Nero. Sinceramente, não gostei dele. Suas ações são até bacanas e tudo mais, mas é um personagem sem graça, bobo, com uns objetivos bobos também. Pura vingança, mas é uma vingança bastante ilógica… talvez eu esteja pensando muito como o Spock.

Abrams dirigiu bem o filme, que possui belos efeitos e visuais muito decentes, principalmente por criar naves, máquinas e muito mais que o ser humano (ainda) não viu (e talvez jamais veja). Uma coisa bastante diferente que notei foi a iluminação, que está sempre com um efeito refletor na câmera. Bem diferente, mas é algo bacana, que dá uma característica própria ao filme, além de dar uma impressão a mais de sci-fi.

A trilha sonora do filme também é muito boa, com músicas épicas e grandiosas orquestradas, com direito a coros e muito mais. Definitivamente uma trilha sonora que vale a pena comprar.

Enfim, Star Trek é um filme para se assistir comendo uma pipoca e curtindo a vibe. O filme é muito bom e vale a pena, recomendadíssimo para fãs de ficção científica e ação, com um enredo bem construído, principalmente em relação às viagens temporais (o que, se não for bem usado, pode ser catastrófico), além de ter uma moral bonita sobre amizade no fundo.

Nota: 4 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] Cidade dos sonhos

zxasxTítulo original: Mulholland Dr.

Ano: 2001

Diretor: David Lynch

Tempo de filme: 147 min.

Não sou de assistir filmes que não estão no mainstream. Vejo um ou outro quando me indicam, ou quando acabo vendo um trailer por aí sem querer, ou acabo ficando curioso olhando o IMDB. E faz tempo que esse bendito site me indica esse filme: Cidade dos Sonhos (Mulholland Dr.).

Bom, não faria mal eu assistir, né? Então arranjei o filme e coloquei para rodar. E foi uma bela viagem.

Cidade dos Sonhos é um filme longo, de quase duas horas e meia de duração, com um clima de mistério e suspense, tudo coroado por uma boa dose de surrealismo e coisas estranhas. A começar pela introdução, algo completamente fora do padrão, onde várias pessoas dançavam, aos pares, a uma música que até agora não compreendi a ligação com o filme.

Pesquisando um pouco sobre David Lynch, será fácil ver que o cinema praticado por ele tem muito de surrealismo. É como se fosse o Dali do cinema (apesar deste já ter dirigido alguns filmes, bem quando o cinema ainda engatinhava), então eu sabia que o filme não seria de fácil digestão e nem seria entregue com todos os seus detalhes mastigados ao final.

Lynch constrói o filme com vários núcleos diferentes que vão se juntando conforme o longa vai correndo pela tela. Mas nada tem uma ligação óbvia, as situações podem parecer o que não são. Enfim, é como se houvesse um véu na frente da câmera (simbolicamente, a imagem do filme é claríssima), e as sombras por trás fossem completamente deixadas à interpretação do espectador.

Um filme desse tipo poderia ser claramente delegado ao rol dos “filmes chatos porque não entendi nada e larguei na metade”, mas isso não ocorre. Apesar dos vários núcleos narrativos, a trama principal gira em torno de Rita (Laura Harring), que sofreu um acidente logo no início do filme e, desde então, não tem lembranças de absolutamente nada. Ela contará com a ajuda de Betty (Naomi Watts), uma aspirante a atriz em Hollywood) para descobrir o que aconteceu na fatídica noite do acidente na Estrada Mulholland (Mulholland Drive, daí o nome original do filme [sou um gênio, fala sério]).

Naomi Watts e Laura Harring

Naomi Watts e Laura Harring

E todo esse mistério é filmado de modo bastante claustrofóbico. Pode haver alguns clichês de câmera do gênero de suspense, mas o fato é que é fácil se sentir desconfortável pelo cenário que vai se desvendando devagar, com o personagem andando lentamente, e tudo isso juntamente com uma trilha sonora também pesada. Só isso é suficiente para manter o espectador assistindo o filme até o final, porque a curiosidade será cada vez mais aguçada (e as respostas vêm de forma cada vez mais subjetivas, principalmente na meia hora final do filme).

Cidade dos Sonhos, no final das contas, não é um filme para qualquer um. Quem espera a trama mastigada ao final poderá se decepcionar bastante, mas toda a viagem piradona, os efeitos de filmagem utilizados por Lynch e também a boa atuação (especialmente de Laura Harring) conseguem fazer tudo valer a pena, mesmo que o final desaponte.

Para mim, o final não desapontou. É daqueles filmes que as teorias vão brotando na mente e que requerem uma segunda assistida, para procurar os detalhes escondidos, as minúcias que podem indicar alguma resposta mais reveladora. Depois disso, é só arranjar um amigo para conversar sobre e discutir as inúmeras teorias do fatídico acidente na Mulholland Dr.

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Nota: 4 estrelas (em um total de 5)

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