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[Resenha/Filme] O Homem da Máfia

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Nome original: Killing Them Softly

Ano: 2012

Diretor: Andrew Dominik

Tempo de filme: 97 min

Ah, fazia tempo que queria ver esse filme. Gosto muito das atuações do Brad Pitt e foi o que principalmente me chamou para assisti-lo.

O Homem da Máfia, como dá para perceber, vai ser um filme, bem, sobre máfia. Mas não espere voltar décadas no tempo… o filme se passa na época em que Barack Obama estava disputando as eleições presidenciais com John McCain, há apenas alguns anos atrás… foi em 2008. Durante todo o filme ouvimos notícias, do rádio e da televisão, sobre a corrida presidencial, com discursos e notícias, principalmente vindos de Obama.

O filme vai se centrar em Jackie Cogan (Brad Pitt), um cara contratado para tratar de assuntos da máfia… especialmente assuntos que envolvam deixar alguém em uma situação de ir para o necrotério. Ele é contratado após um jogo de cartas, protegido pela máfia, ser assaltado, e isso vai trazer complicações generalizadas a todos. Portanto, sim, Jackie é o cara da vez.

Mas, ao invés do filme se tratar puramente em chefões da máfia dando suas bênçãos e coisas do tipo, o filme vai focar essencialmente nas ações de Jackie como assassino de aluguel. Não somente, mas também como ser humano. O filme é baseado em um livro chamado Cogan’s Trade, de George V. Higgins, de 1974. Nunca li o livro (e também nunca tinha ouvido falar até ir ler mais sobre o filme após assisti-lo), mas como estamos falando do filme, acho que pouco importa o quão fiel foi – principalmente por se tratar de uma adaptação fora do tempo do próprio livro.

O filme possui uma tomada mais pessoal da vida de Cogan. Ali, vemos uma tentativa de humanizar o assassino, de ver a pessoa por trás do mal. E isso é feito bem, visto que o que Jackie faz é encarado por ele mesmo como puramente negócio. Ele não vê graça no que faz, não gosta, mas tem que fazer, e acaba misturando suas emoções com isso.

Porém, o filme não se trata de um dramalhão que tenta sentimentalizar o assassino. Pelo contrário, pois Cogan nunca se nega ao seu dever, e nem mesmo se sente abalado em frente ao que tem de fazer. Mas suas falas e a atuação de Brad Pitt são muito verdadeiras e carregam bastante sentimento. Jackie gosta de matar suavemente (daí o nome do filme), de uma distância segura, tentando não dar chances de ouvir súplicas ou coisas do tipo.

É nisso que o filme vai se basear propriamente. E o enredo em si é bastante sólido e sem muita firula. Não é o seu filme de ação comum, e muito menos seu filme de drama comum. Sua duração já é bastante estranha para um filme como esse: tem pouco mais de 1 hora e meia. Por isso, o filme não fica longo demais e nem mesmo chato. A vida de Jackie Cogan é muito bem contada e é isso que importa, além de sabermos o que vai acontecer em sua missão.

O filme possui bons diálogos, principalmente aqueles que acabam por refletir as notícias da corrida presidencial. E um pouco da estrutura da máfia pode ser entendida também, mas o filme nem de perto mergulha nesse quesito.

Ray Liotta, outro grande ator (que fez o aclamado filme de máfia Os Bons Companheiros) tem uma boa participação e trabalha bem. O outro ator principal do filme, Scoot McNairy, também não desaponta e tem bons momentos, e seu personagem não se mostra muito fácil de ser representado, pois é bastante inconstante e cheio de angústia.

Liotta

Liotta

O Homem da Máfia apresenta bons quesitos técnicos, alguns jogos de câmera excelentes e as cenas de violência são duras e cruas, todas voltadas à rápida execução. Não espere ver no filme tiroteios e nem mesmo brigas, pois tudo é feito objetivamente e acaba bastante rápido. Especialmente quando há tiros, dando evidência principalmente para o som, que vem a ser o mais realista possível, é bem alto quando há um disparo de arma. Nesse ponto, o filme prezou por um maior realismo do que por uma caricatura.

Há também um excelente uso de trilha sonora, com músicas que acompanham bem as ações. E aqui é onde principalmente o filme mostra que não há homens bons e nem maus, pois muito do nosso conceito de “isso que ocorreu é bom” ou “isso que ocorreu é ruim” vem da trilha sonora usada na hora. Não aqui. Matar alguém não é bonito, mesmo que seja necessário e a pessoa seja um crápula. Mesmo Jackie sendo um personagem carismático, ainda assim não tem como ver suas ações como algo belo.

O Homem da Máfia é um filme excelente, e eu recomendo a todos. Com atuações sólidas e uma direção muito boa, o filme resgata o conceito de filmes sobre mafiosos, mas dando um ar novo e refrescante ao gênero. E no final das contas serve muito bem como crítica política, pois enquanto vemos um Obama dando mensagens de esperanças, de mudança, de futuro em meio ao caos econômicos, vemos Jackie Cogan fazendo o que sempre fez, e cada vez mais descrente em tudo, especialmente na mudança.

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

[Resenha/Filme] Sangue Negro

Sangue Negro

Nome original: There Will Be Blood

Ano: 2007

Diretor: Paul Thomas Anderson

Tempo de filme: 158 min

É difícil falar sobre dramas. Normalmente acho difícil passar o que assisto desse gênero para o papel e acho que o brilho desse tipo de produção fica muito mais por conta da atuação dos atores do que por qualquer outro motivo. E isso já é motivo suficiente para assistir a Sangue Negro.

O filme conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um homem do petróleo que atua entre o finalzinho do século XIX e o início do século XXI, arrendando terras (ou comprando-as), perfurando seu solo em busca de ouro negro. É um homem de sucesso, diga-se de passagem e basicamente onde ele toca vira ouro (negro).

O filme todo vai se focar na construção do personagem de Daniel Plainview e vai mostrar seus momentos como homem de negócios e também como pai de família. Um sujeito complicado, ganancioso, com o dom do discurso e bastante bipolar. E para isso somente um grande ator poderia fazer certo.

Daniel Day-Lewis brilha o filme todo, contra um cenário árido, desértico e ensolarado das inóspitas localizações onde o filme é rodado, especialmente na cidade de Little Boston, que se transforma completamente graças a Plainview. O ator dá um show, o que já era de se esperar. O personagem é deveras complexo e Lewis o traz à vida com muita facilidade, colocando trejeitos, expressões duras, movimentos específicos e sua voz soa muito condizente com o personagem. É uma atuação bastante verdadeira, sem truques, que me fez acreditar naquele homem e até mesmo compreendê-lo em seus diversos momentos de uma insanidade justificada.

Freasier e Day-Lewis

Freasier e Day-Lewis

Todos os problemas de Plainview, no entanto, acabam sendo gerados ao redor de seu filho, H. W. (Dillon Freasier [criança – maior parte do filme]/Russell Harvard [adulto]), um garoto que serve como propaganda a seus negócios e acaba facilitando o trabalho dele. Freasier trabalha bem como um garoto sem muita motivação e que aparenta amar o pai acima de tudo. Todo o drama vai girar em torno da relação de pai e filho e a ligação dos dois é enorme e Daniel Plainview não sente vergonha alguma de demonstrar todo o seu amor ao seu filho, em uma época onde as relações desse tipo eram baseadas no distanciamento e obediência total por parte dos filhos.

Por fim, o último tema que o filme vai abordar com certa força é o da religião, cujo personagem central é o pastor Eli (Paul Dano) e, caso não fosse Daniel Day-Lewis como o personagem principal, facilmente ele ofuscaria as cenas onde contracenam. Dano faz um papel forte e perturbado, procurando fazer sua Igreja da Terceira Revelação crescer e buscando o apoio de Plainview, que busca negar a religião de todas as formas possíveis.

Desse triângulo se forma o personagem de Daniel Plainview, entre o petróleo, a família e a religião. Um homem duro, poderoso e esperto.

Dano e Day-Lewis

Dano e Day-Lewis

O filme é bastante forte e trata de temas um tanto incômodos. O personagem de Day-Lewis causa uma impressão boa de início e sua desconstrução é brutalmente feita durante as duas horas e meia de filme. Ao final, sentimentos mistos pelo personagem podem ser facilmente encontrados dentro de quem assiste. Mas uma coisa é positiva: a atuação de Day-Lewis foi impecável.

O clima do filme é realçado ainda mais devido à secura em que se encontram os cenários: desertos e fazendas onde nada nasce. Daniel vem trazer prosperidade para a cidade de Little Boston, com o custo de secar as reservas de petróleo, mas a desolação e melancolia estão o tempo todo estampadas no cenário. As cenas em buracos claustrofóbicos devido à perfuração também causam desconforto devido às condições dos trabalhadores, sempre sujos de petróleo, lama e poeira.

Por fim, há uma trilha sonora forte e muito presente, que dá um tom que às vezes pode-se imaginar até mesmo se tratar de um filme de terror. Achei que todas as músicas se encaixaram bem na proposta das cenas, carregando de ainda mais emoção e sentimento a vida do próspero Daniel Plainview.

Sangue Negro é um filme excelente, porém cobra caro: é bastante lento. Quem não tiver paciência para um drama comum, deverá passar longe desse filme, que pode entediar até mesmo quem está em busca tão-somente de ver a atuação impecável de Daniel Day-Lewis, apresentando longas cenas de close em personagens e suas feições, bem como uma introdução enorme com quase nenhum diálogo, porém que é essencial para compreendermos quem é Daniel Plainview.

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Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

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