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[Resenha/Filme] Sangue Negro

Sangue Negro

Nome original: There Will Be Blood

Ano: 2007

Diretor: Paul Thomas Anderson

Tempo de filme: 158 min

É difícil falar sobre dramas. Normalmente acho difícil passar o que assisto desse gênero para o papel e acho que o brilho desse tipo de produção fica muito mais por conta da atuação dos atores do que por qualquer outro motivo. E isso já é motivo suficiente para assistir a Sangue Negro.

O filme conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um homem do petróleo que atua entre o finalzinho do século XIX e o início do século XXI, arrendando terras (ou comprando-as), perfurando seu solo em busca de ouro negro. É um homem de sucesso, diga-se de passagem e basicamente onde ele toca vira ouro (negro).

O filme todo vai se focar na construção do personagem de Daniel Plainview e vai mostrar seus momentos como homem de negócios e também como pai de família. Um sujeito complicado, ganancioso, com o dom do discurso e bastante bipolar. E para isso somente um grande ator poderia fazer certo.

Daniel Day-Lewis brilha o filme todo, contra um cenário árido, desértico e ensolarado das inóspitas localizações onde o filme é rodado, especialmente na cidade de Little Boston, que se transforma completamente graças a Plainview. O ator dá um show, o que já era de se esperar. O personagem é deveras complexo e Lewis o traz à vida com muita facilidade, colocando trejeitos, expressões duras, movimentos específicos e sua voz soa muito condizente com o personagem. É uma atuação bastante verdadeira, sem truques, que me fez acreditar naquele homem e até mesmo compreendê-lo em seus diversos momentos de uma insanidade justificada.

Freasier e Day-Lewis

Freasier e Day-Lewis

Todos os problemas de Plainview, no entanto, acabam sendo gerados ao redor de seu filho, H. W. (Dillon Freasier [criança – maior parte do filme]/Russell Harvard [adulto]), um garoto que serve como propaganda a seus negócios e acaba facilitando o trabalho dele. Freasier trabalha bem como um garoto sem muita motivação e que aparenta amar o pai acima de tudo. Todo o drama vai girar em torno da relação de pai e filho e a ligação dos dois é enorme e Daniel Plainview não sente vergonha alguma de demonstrar todo o seu amor ao seu filho, em uma época onde as relações desse tipo eram baseadas no distanciamento e obediência total por parte dos filhos.

Por fim, o último tema que o filme vai abordar com certa força é o da religião, cujo personagem central é o pastor Eli (Paul Dano) e, caso não fosse Daniel Day-Lewis como o personagem principal, facilmente ele ofuscaria as cenas onde contracenam. Dano faz um papel forte e perturbado, procurando fazer sua Igreja da Terceira Revelação crescer e buscando o apoio de Plainview, que busca negar a religião de todas as formas possíveis.

Desse triângulo se forma o personagem de Daniel Plainview, entre o petróleo, a família e a religião. Um homem duro, poderoso e esperto.

Dano e Day-Lewis

Dano e Day-Lewis

O filme é bastante forte e trata de temas um tanto incômodos. O personagem de Day-Lewis causa uma impressão boa de início e sua desconstrução é brutalmente feita durante as duas horas e meia de filme. Ao final, sentimentos mistos pelo personagem podem ser facilmente encontrados dentro de quem assiste. Mas uma coisa é positiva: a atuação de Day-Lewis foi impecável.

O clima do filme é realçado ainda mais devido à secura em que se encontram os cenários: desertos e fazendas onde nada nasce. Daniel vem trazer prosperidade para a cidade de Little Boston, com o custo de secar as reservas de petróleo, mas a desolação e melancolia estão o tempo todo estampadas no cenário. As cenas em buracos claustrofóbicos devido à perfuração também causam desconforto devido às condições dos trabalhadores, sempre sujos de petróleo, lama e poeira.

Por fim, há uma trilha sonora forte e muito presente, que dá um tom que às vezes pode-se imaginar até mesmo se tratar de um filme de terror. Achei que todas as músicas se encaixaram bem na proposta das cenas, carregando de ainda mais emoção e sentimento a vida do próspero Daniel Plainview.

Sangue Negro é um filme excelente, porém cobra caro: é bastante lento. Quem não tiver paciência para um drama comum, deverá passar longe desse filme, que pode entediar até mesmo quem está em busca tão-somente de ver a atuação impecável de Daniel Day-Lewis, apresentando longas cenas de close em personagens e suas feições, bem como uma introdução enorme com quase nenhum diálogo, porém que é essencial para compreendermos quem é Daniel Plainview.

sangue-negro

Nota final: 5 estrelas (em um total de 5)

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